Os outros causam-me impressão. Julgam saber da minha vida mais do que aquilo que eu próprio sei. Não sabem nada! Também eu sei pouco sobre mim, reconheço. Mas talvez por isso, não enalteça as minhas qualidades como os outros fazem regularmente, num narcisismo exacerbado que apenas revela a sua fraqueza. Por sabermos tão pouco de nós próprios, por estarmos mais preocupados em realçar os defeitos d’os outros, ao invés de realçarmos as nossas virtudes, o Mundo está como está, arruinadamente imperfeito. Também eu realço os defeitos d’os outros, reconheço. Mas faço-o para tentar realçar as minhas virtudes, para as desvendar. Uma espécie de auto-aprendizagem considerada cruel de acordo com os outros, mas que eu considero valorosa. Sinto que o resto do Mundo só existe para eu conhecer o meu verdadeiro EU. Foco-me, portanto, na minha pessoa, na minha vida, na constante busca da felicidade, porque sei que os outros não o farão por mim, jamais.
Autor: Pedro Colaço
Para reflectir...