terça-feira, 18 de novembro de 2008

O tal "feeling"

Vestir o fato numa manhã fria e cinzenta de Inverno com um sorriso, as ondas perfeitas, o vento offshore, apenas duas ou três pessoas na água, são condições que atenuam qualquer espécie de choque térmico, que fazem esquecer o ar agreste das manhas de Inverno, só um prazer imenso pode conseguir esse efeito anestesiante, é esse o poder das ondas na mente de quem faz Bodyboard.
Quantas e quantas vezes saímos da água com os dedos gelados, em que só de pôr os pés no chão dói, mas apesar disso estamos como se as dores do corpo não passassem de uma trivialidade e aquecidos no interior pela euforia das ondas. Surfar é esquecer o que de mais mortal o corpo tem e por uns segundos ser um com os elementos, na última onda e na próxima onda…

Por vezes o melhor momento de uma surfada é a primeira remada. Quando lanço o corpo sobre a prancha, arremesso o primeiro impulso com os braços e deslizo sobre a água, esses breves segundos em que o corpo se familiariza com o mar, em que este se abre para nos receber, deixamos para trás a rigidez impenetrável da terra firme e nos entregamos absolutamente à fluidez quase maternal do oceano.
Há dias em que para mim esse é o melhor, o mais puro momento da surfada, quando num "click" deixo tudo na areia, completamente, e fico só com o mar e as ondas.
Quem bebe para esquecer nunca entrou no mar como eu, essas primeiras braçadas em direcção ao outside são como o abrir de uma janela para o interior do espaço, pleno, absoluto e universal...

Obrigado pelo texto Marta!

Beto, Punk, Gótico ou Chunga, nada disto existe quando se faz Bodyboard, pois o "feeling" sentido é igual para todos.

Boas Ondas...

1 comentário:

Anónimo disse...

Escreves tão bem miudo!