Não me consigo lembrar do dia em que fomos apresentados.. é que não me lembro mesmo! Parece que desde sempre nos conhecemos. Quando a recordo, ou quando estamos juntos, os meus olhos brilham. Mas não é um brilho qualquer. Só quem ama verdadeiramente tem este brilho no olhar. E foi através deste brilho que me apaixonei.
Difícil relação esta, que me obriga a partilhá-la com umas dezenas de indivíduos, uns que conheço e outros que nem sei quem são. E o pior é quando desfrutam dela quando não estou presente… sacanas de indivíduos. Mas quando fomos apresentados, já ela não era mulher de um homem só. Bom mesmo é quando a consigo ter só para mim, ou para mais dois ou três amigos… sim, porque não me importo de dividi-la com os amigos… com os outros é que não. Aparecem quando não a posso ver, e muitas vezes aparecem mesmo quando estou com ela… olhem só a lata dos meninos, abusados. Não os culpo, porque é muito fácil sentirmo-nos atraídos por ela. Basta vê-la nos seus dias mais bonitos, quando o vento molda os seus cabelos à boca e sussurra as suas palavras na surdina do mar.
Adoro o sítio onde ela mora, vive numa vilazita junto ao mar, vila de pessoas simpáticas, que me acolhem sempre bem quando a vou visitar. Vila esta onde os cães dormem nos telhados e onde as pessoas cheiram a mar. Terra esta de PESCADORES, e escrevo pescadores com letra grande para enaltecer a sua grandeza histórica naquela região, que adora o que faz, apesar de todos os desgosto que o mar já lhes reservou. Pergunto-me, quantos dias esta gente já viu de mar grande?... onde os barcos baloiçam e as redes quase não aguentam a força das correntes. Quantas vezes, me pergunto, esta gente já viu o mar galgar pontões e paredões, e entrar pela sua vila adentro? Quantas? Mas, o engraçado é que nunca deixam de ir ao mar, nem olham para ele de maneira diferente.
Costumo dizer, que um dia hei-de comprar uma casita naquela vila, para acordar e poder ver o mar, e estar perto "dela". Porque olho para ela com um grande carinho. Com um carinho de amigo, de amante, ou apenas de mais um viajante. Porque pulo da cama às 6h da manhã, em muitos dias, para a poder ver, mal o sol nasça e a luz me permita. Porque tenho dezenas, senão centenas, de fotografias dela… de todos os ângulos, a preto e branco, e a cores, mesmo daqueles dias em que ela vem ter comigo menos fotogénica e não tão produzida. Acontece com todos.
Costuma castigar quem brinca com ela, derrubando os seus amantes, sustendo-lhes a respiração quando os abraça e os leva ao mais íntimo do seu ser. Dá-nos da sua água a beber e lava-nos a alma nos dias mais cinzentos e mais confusos do nosso eu. Mulher esta que consegue tornar o mais valente e viril dos homens em medricas… chega a ser mázinha a sacana. Mas por mais que humilhe os seus homens, continuará a ter sempre gente pronta para a namorar e a amar.
Às vezes dou por mim a pensar, quantos namorados já terá tido? Sim, quantos homens já lhe passaram pelas mãos? Quantas manhãs, e dias, e noites, esteve linda e perfeita e ninguém a viu?... esteve sozinha a revelar a sua beleza apenas aos peixes e ás gaivotas que por ali passam. E tantos dias chego na esperança de a ver bem disposta, bonita e simpática, e a encontro de trombas ou apenas não aparece… que falta de respeito faltar a um encontro e não avisar que não vai poder estar presente. Mas quando se apresenta bela e graciosa, faz-me esquecer todos os dias que não me quis ver, ou falar comigo. Faz-me esquecer todas as manhãs frias de Inverno, nas quais me levantei tão cedo para estar com ela…e os encontros falhados. Sim, os encontros falhados. Mas isso todas falham.
Esqueço-me de tudo… porque me é especial esta onda…desculpem-me, queria dizer... mulher! Difícil relação esta, que me faz perguntar a amigos e conhecidos se a viram, como ela estava, se estava linda, perfeita ou se simplesmente não queria ver ninguém. Hoje estive com ela…estava fascinante como sempre!


4 comentários:
grande texto puto!gostei de ler.keep up the good work.grade abraço
O texto está exclente, está á patrão, isso significa que tu curtes mesmo aquilo que fazes. Um dia vou ver essa relação.
Abraços
Esta muito bonito Hugo:) É bom que escrevas sobre aquilo que gostas. Continua.. Um beijinho*
Vestir o fato numa manhã fria e cinzenta de Inverno com um sorriso, as ondas perfeitas, o vento offshore, apenas 2 ou 3 pessoas na água, são condições que atenuam qualquer espécie de choque térmico, que fazem esquecer o ar agreste das manhas de Inverno.
Só um prazer imenso pode conseguir esse efeito anestesiante, é esse o poder das ondas na mente de quem faz Bodyboard.
Quantas e quantas vezes saímos da água com os dedos gelados, em que só de por os pés no chão dói, mas apesar disso estamos como se as dores do corpo não passassem de uma trivialidade e aquecidos no interior pela euforia das ondas. Surfar é esquecer o que de mais mortal o corpo tem e por uns segundos ser um com os elementos. Na última onda e na próxima onda…
Por vezes o melhor momento de uma surfada é a primeira remada. Quando lanço o corpo sobre a prancha e arremesso o primeiro impulso com os braços e deslizo sobre a água.
Esses breves segundos em que o corpo se familiariza com o mar, em que este se abre para nos receber e deixamos para trás a rigidez impenetrável da terra firme e nos entregamos absolutamente á fluidez quase maternal do oceano. Há dias em que para mim esse é o melhor, o mais puro momento da surfada, quando num click deixo tudo na areia, completamente, e fico só com o mar e as ondas. Quem bebe para esquecer nunca entrou no mar como eu, essas primeiras braçadas em direcção ao outside são como o abrir de uma janela para o interior do espaço, pleno, absoluto e universal...
P.S - Muito boa ideia a do Blog =D... continua Abreu!!!
Beijinhs *** =)
Marta
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